Mucci, 29 de setembro de 2026
Conaci lança Mucci para padronizar controles internos e fortalecer a mitigação da corrupção no Brasil
Novo Modelo de Maturidade guiará estados e municípios na transição de uma atuação reativa para a antecipação de riscos e geração de valor público.
Em um cenário nacional que exige cada vez mais transparência, integridade e rigor na gestão dos recursos públicos, o Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci) oficializou, durante o XXII Encontro Nacional de Controle Interno, o lançamento do Modelo de Maturidade das Unidades Centrais de Controle Interno (Mucci). A iniciativa propõe um marco na padronização e no fortalecimento das instituições responsáveis por blindar o Estado contra irregularidades.
Historicamente, o controle interno no Brasil tem operado sob um cenário de grande diversidade federativa e institucional. As Unidades Centrais de Controle Interno (UCCIs) de estados e municípios apresentam diferentes arranjos de organização, recursos, capacidades técnicas e, até mesmo, diferentes compreensões sobre o seu próprio papel. Essa fragmentação e a falta de referenciais integrados resultaram em um desenvolvimento desigual das funções de controle pelo país.
O Mucci foi desenhado para resolver esse problema, oferecendo uma referência comum, consistente para dar unidade de ação, mas flexível o suficiente para reconhecer os diferentes pontos de partida de cada ente federativo. Mais do que uma ferramenta gerencial, o modelo ataca o cerne da mitigação da corrupção ao profissionalizar a gestão de riscos. Segundo o próprio conceito do projeto, “maturidade não é tempo de existência, quantidade de documentos ou esforço declarado. É capacidade demonstrada, institucionalizada e sustentável”.
Neste contexto de modernização imprescindível para o país, o modelo ganha relevância estratégica. Neste contexto de modernização imprescindível para o país, o modelo ganha relevância estratégica. Para o 2º vice-presidente do Conaci, Paulo Farias, a nova ferramenta preenche uma lacuna fundamental ao atacar a corrupção pela via estrutural, e não apenas no tratamento de casos isolados. “A corrupção prospera onde falta transparência, onde a sociedade não tem canal de escuta, onde a integridade é discurso sem estrutura, onde a auditoria não avalia riscos de forma independente, e onde a correição não responsabiliza com tempestividade. O Mucci mede exatamente essas seis frentes: Transparência, Ouvidoria, Integridade, Apoio à Gestão em Controles Internos, Auditoria Interna e Correição. Ele não pergunta se o ente “tem” um programa de integridade no papel. Pergunta se esse programa antecipa riscos, se articula com as outras funções de controle, e se produz resultado observável.”, afirma Farias.
Ao transformar essa rede em algo mensurável, nível por nível, Farias destaca que a prevenção passa a ser uma política de Estado. “E é justamente por medir essas seis frentes de forma conjunta que o modelo evita o erro mais comum: tratar a mitigação de corrupção como tarefa de uma função isolada. Ela é a soma da transparência que reduz assimetria de informação, da ouvidoria que capta sinais de risco antes que virem escândalo, da integridade que trata a causa, da auditoria que avalia com independência, e da correição que responsabiliza com garantias. O Mucci organiza essa rede e a torna mensurável, nível por nível, em vez de deixar a prevenção depender apenas da vontade de uma gestão específica”, conclui.
Da reação à prevenção: como o Mucci funciona
O caminho de construção do Mucci foi amplamente colaborativo, envolvendo um diagnóstico nacional que contou com 963 respostas de diversos atores, como Tribunais de Contas, Ministérios Públicos, controladores e sociedade civil. Esse esforço gerou uma arquitetura única.
O modelo organiza o desenvolvimento das controladorias em cinco níveis de maturidade progressivos: Inicial (focado em conhecer a realidade), Fundamental (reagir aos problemas), Desenvolvido (prevenir a ocorrência), Consolidado (antecipar riscos) e Referência (inovar e gerar valor). O objetivo central é guiar as instituições para que saiam do foco exclusivo na correção e passem a atuar sobre as causas estruturais.
Para garantir a proteção integral da máquina pública, o Mucci avalia e orienta o desenvolvimento em seis macrofunções complementares:
- Integridade: promoção de cultura ética e prevenção de irregularidades.
- Correição: tratamento de irregularidades e uso dos resultados para prevenção.
- Auditoria Interna: avaliação independente baseada em riscos.
- Apoio à Gestão em Controles Internos: fortalecimento da capacidade de administrar riscos.
- Transparência: disponibilização de informações confiáveis para o controle social.
- Ouvidoria: tratamento de manifestações para transformar experiências em melhorias.
O ciclo proposto pelo Mucci convida as instituições a compreenderem seu estágio, realizarem o diagnóstico, elaborarem um plano de evolução e avançarem de forma contínua.
Para gestores públicos, profissionais de controle e membros da sociedade civil interessados em conhecer a ferramenta e contribuir para o fortalecimento do controle interno no Brasil, o portal do projeto já está disponível para acesso e download dos referenciais em: conaci.org.br/mucci.
Sobre o Conaci
O Conselho Nacional de Controle Interno atua na promoção do intercâmbio de conhecimentos, práticas e informações entre as organizações responsáveis pelo controle interno no Brasil, fortalecendo a governança, a transparência e o combate à corrupção.
Informações para a Imprensa:
Thais Venturatto – Assessora-Chefe de Comunicação do Conaci
comunicacao@conaci.org.br
(31) 99717-6339