Projeto Mulheres no Controle, 24 de março de 2026
Cultura organizacional e relações de poder marcam segundo dia do Mulheres no Controle
Especialista destaca que mudanças efetivas no setor público dependem da transformação cultural e do alinhamento entre instituições, comportamento e poder
O segundo dia do Mulheres no Controle: Capacitação para Lideranças Femininas trouxe ao centro do debate o tema “Comportamento das Organizações”, conduzido pela consultora do Banco Mundial, Ana Marinho. A abertura contou com a participação da 1ª vice-presidente do Conaci, Luciana Daltro, e a mediadora foi a assessora-chefe de comunicação, Thais Venturatto.
Em sua fala inicial, Luciana Daltro destacou a necessidade de ampliar o olhar sobre o funcionamento das instituições públicas, indo além das normas formais. “Falar de liderança, governança, integridade e controle interno, não é apenas falar sobre normas, procedimentos e estruturas formais, é acima de tudo compreender como as organizações realmente funcionam. Nós do controle interno fomos historicamente formados para olhar regras, processos e conformidades, isso é essencial. Mas, na prática decisões não acontecem apenas nos fluxos formais, elas acontecem dentro de contextos que envolvem cultura organizacional, relações de poder, padrões informais de comportamento e que muitas vezes orientam as decisões do que é feito e como é feito”, ressaltou. A vice-presidente também reforçou que a cultura organizacional não é estática, mas se transforma ao longo do tempo, moldando comportamentos, contextos e até dinâmicas mais amplas, como as geopolíticas institucionais.
Ao longo da aula, Ana Marinho aprofundou a análise sobre como a cultura influencia diretamente o comportamento organizacional na administração pública. Segundo a pesquisa mostrada por ela, esse comportamento resulta da interação entre três dimensões fundamentais: a cultura organizacional, que orienta práticas informais; as instituições, que estabelecem regras e garantem legitimidade jurídica; e as relações de poder, que estruturam decisões e influenciam a implementação de políticas. A especialista destacou que estudos do Banco Mundial e da OCDE apontam que reformas administrativas só são eficazes quando há alinhamento entre esses fatores. Sem transformação cultural e reorganização das relações de poder, a produção normativa tende a ter impacto limitado.
“Ou seja, eu não consigo fazer uma reforma administrativa se eu não tiver uma mudança cultural alinhada dentro da instituição e a relação de poder também ali participando, influenciando e apoiando para que essa mudança aconteça seja do ponto de vista formal ou informal”, ressaltou Marinho.
A discussão também trouxe o poder como elemento central para compreender o funcionamento das organizações. Nesse contexto, foi ressaltada a importância de uma análise institucional cuidadosa, especialmente no âmbito do controle interno, onde estados e capitais costumam ter estruturas mais consolidadas do que os municípios. Essa diferença exige estratégias adaptadas à realidade de cada ente, reforçando que mudanças estruturais dependem tanto de fatores formais quanto informais.
Outro ponto abordado foi a liderança organizacional contemporânea, que, segundo Ana Marinho, exige autenticidade, inclusão e resiliência. A especialista diferenciou o papel de gestores e líderes, destacando que, enquanto gestores tendem a administrar situações e operar no curto prazo, líderes atuam de forma transformadora, com visão de longo prazo, questionando estruturas e promovendo inovação. Ainda assim, ressaltou que a liderança é profundamente impactada pela cultura organizacional, o que reforça a necessidade de ambientes institucionais mais inclusivos e abertos à mudança.
Ao final do encontro, Thais Venturatto destacou a relevância da diversidade na construção de políticas públicas mais justas. “Fica muito clara a importância da diversidade na construção das políticas afirmativas que fazem com que as instituições deem voz e espaço a essas mulheres. Que nós possamos cada vez mais ter ações que não somente falam sobre integridade de gênero, mas que a gente consiga fazer um movimento de transformação na cultura que a gente vive.”
Encerrando a programação do dia, Ana Marinho fez um chamado à ação, enfatizando o papel individual e coletivo na promoção de mudanças. “Que este curso faça vocês pensarem em como é possível transformar ações em práticas e de influência social. Eu acredito no poder da micropolítica, que é a ação no espaço em que você está inserido, a capacidade de qualquer pessoa influenciar, mesmo que não ocupe uma posição de liderança. É necessário estar alinhado com pessoas que também estão em busca dessa mudança para que isso seja de fato possível e que se concretize e reflita em ganhos para toda a sociedade, instituições e mulheres. Que tenhamos mais mulheres na liderança e um país que represente seu povo, com diversidade cultural.”
Participe dos próximos dias da capacitação:
25/03
Comunicação que Constrói Presença
https://youtube.com/live/KY3qsltBmC0
26/03
Tentaram Contê-la. Ela se Tornou Caminho: Liderança Feminina e Compliance Social na Administração Pública
https://youtube.com/live/kD81Def7kV8
27/03
Controle Interno, Gênero, Raça, Diversidade e os Critérios de Promoção na Carreira
https://youtube.com/live/sbFSh6Udkq8