Projeto Mulheres no Controle, 23 de março de 2026

Mulheres no Controle abre programação com debate sobre liderança feminina no setor público

Evento do Conaci discute desafios estruturais e caminhos para ampliar a presença de mulheres em espaços de poder

Teve início nesta semana o projeto Mulheres no Controle: Capacitação para Lideranças Femininas, promovido pelo Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), com uma aula inaugural marcada por reflexões profundas sobre desigualdade de gênero e liderança no setor público. O primeiro encontro trouxe como tema “Liderança Feminina no Controle Público: Desafios e Caminhos” e contou com a participação da jurista brasileira Lívia Sant’anna Vaz.

A abertura do evento contou com a presença do presidente do Conaci, Leonardo Ferraz, e da 1ª vice-presidente, Luciana Daltro, que destacaram a importância da iniciativa para o fortalecimento institucional e para a promoção da equidade de gênero. A vice-presidente e diretora da ação fez uma abertura marcante. “Nessa oportunidade que me foi franqueada de promover a abertura desse evento, quero começar com uma pergunta simples, mas que acredito ser muito reveladora. Como as vezes mulheres plenamente capacitadas e preparadas ainda hesitam antes de ocupar espaços de liderança? E ao mesmo tempo, quantas vezes vemos pessoas despreparadas ocupam esses mesmos espaços com grande segurança? Esse contraste, minhas amigas, não é casual, não é apenas subjetivo, ele revela um padrão estrutural. E é exatamente por isso que o projeto Mulheres no Controle é tão importante. Porque o Conaci se conhece da capacitação, que não nos interessa apenas um curso, está reconhecendo uma realidade e mais do que isso, afirmando institucionalmente que essa realidade precisa ser transformada.”

Durante sua fala, Ferraz ressaltou o papel coletivo na construção de ambientes mais inclusivos. “A diretoria do Conaci está muito satisfeita com mais essa iniciativa concreta para a integração das mulheres e de nós, homens, aos processos e aos postos de liderança. Essa linha de atuação vai ao encontro daquilo que o nosso planejamento estratégico estabelece. Isso é um ponto muito importante, porque iniciativas dessa natureza, capitaneadas pela Luciana, com o apoio da equipe do Conselho, ela materializa aquilo que o Conaci, enquanto instituição, de fato, acredita.”

Responsável pela aula inaugural, Lívia Sant’anna Vaz iniciou sua exposição com uma provocação sobre as barreiras enfrentadas pelas mulheres ao longo da história e ainda presentes no cotidiano profissional. Ao abordar o contexto brasileiro, relembrou que o direito ao voto feminino só foi conquistado em 1932, ainda com restrições, evidenciando como a exclusão institucional tem raízes profundas. Ao longo da fala, destacou que, apesar dos avanços legais, muitas desigualdades persistem de forma estrutural.

A jurista também trouxe dados que evidenciam a sub-representação feminina em espaços de poder, como o fato de mulheres ocuparem apenas 17,4% das presidências de empresas e 16% da alta liderança em companhias abertas. No recorte racial, o cenário é ainda mais desigual, com apenas 1% das pessoas negras nesses cargos. No campo político, o Brasil ocupa a 133ª posição mundial em representatividade feminina, sendo o último da América Latina. Apesar disso, ela apontou avanços recentes, como o aumento da participação feminina no Executivo federal, que passou de 29% em 2022 para 38% em 2026.

“É preciso que o Brasil tenha a consciência do enfrentamento a desigualdades de gênero, para que nós possamos evoluir no campo da política. Porque é neste campo que se implementam leis necessárias para que nós possamos avançar institucionalmente com base na equidade de gênero”.

Ao longo da exposição, Lívia também abordou situações recorrentes de violência e discriminação no ambiente de trabalho, como desvalorização de opiniões, assédio moral e sexual, além da sobrecarga enfrentada pelas mulheres, que acumulam múltiplas jornadas. “Não nos coloquemos umas contra as outras. Nós precisamos de todas e todos para que possamos evoluir nessas pautas”, afirmou.

A palestrante destacou ainda a existência de barreiras invisíveis, como o chamado “teto de vidro” ou “labirinto de cristal”, além de vieses em processos de seleção e promoção, códigos masculinos de poder e a baixa visibilidade institucional das mulheres. Para enfrentar esses desafios, apontou caminhos que passam por políticas de equidade, ações afirmativas, capacitação contínua e fortalecimento de redes de apoio.

Nesse sentido, reforçou a importância de iniciativas que vão além da formação pontual. “Sobre as comunidades práticas é preciso fomentar esse aprendizado contínuo, para que esse aprendizado não fique apenas no papel, no curso, na tela, mas que eles possam ser horizontes de transformações institucionais, para que mulheres consigam liderar e inovar no controle. Quando nós temos mulheres no controle, nós temos sim inovação. Há pesquisas que demonstram que a diversidade nesses ambientes institucionais tem tudo a ver com resultado, eficácia e eficiência dessas instituições”.

Encerrando sua participação, Lívia fez um chamado à ação para que instituições públicas avancem na construção de ambientes mais inclusivos, com políticas efetivas de enfrentamento às desigualdades de gênero.

Participe dos próximos dias da capacitação:

24/03
Comportamento das Organizações
https://youtube.com/live/NhlYLRAFRWk

25/03
Comunicação que Constrói Presença
https://youtube.com/live/KY3qsltBmC0

26/03
Tentaram Contê-la. Ela se Tornou Caminho: Liderança Feminina e Compliance Social na Administração Pública
https://youtube.com/live/kD81Def7kV8

27/03
Controle Interno, Gênero, Raça, Diversidade e os Critérios de Promoção na Carreira
https://youtube.com/live/sbFSh6Udkq8

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