Piauí, 06 de novembro de 2026
Conaci destaca a importância da integridade, do ESG e do controle interno para fortalecer a governança pública
Leonardo Ferraz abordou caminhos para uma gestão pública mais eficiente, íntegra e orientada a resultados.
O presidente do Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci), Leonardo Ferraz, participou, nesta sexta-feira (6), do 8º Fórum Piauiense de Controle Interno, promovido pela Controladoria-Geral do Estado do Piauí (CGE-PI), em Teresina. Na ocasião, ele ministrou a palestra de abertura, com o tema “Integridade, ESG e Controle Interno: Pilares da Governança Pública Efetiva”, apresentando reflexões sobre o papel dos órgãos de controle na construção de uma administração pública mais transparente, responsável e comprometida com a entrega de resultados à sociedade.
Durante a apresentação, Leonardo destacou que a efetividade da governança pública depende da integração entre gestão e controle, com relações baseadas na confiança, na cooperação e no compartilhamento de informações. Segundo ele, a atuação do controle interno não deve se limitar à fiscalização, mas também contribuir para o aprimoramento das políticas públicas e dos serviços oferecidos à população.
“Para que a gente faça boas entregas para o poder público, precisamos de uma engrenagem. O que verificamos é uma assimetria informacional entre gestão e controle. Precisamos reduzir essa assimetria, e o controle interno tem que trabalhar em parceria com a gestão, sendo um grande indutor, parceiro e conselheiro da gestão estadual, municipal e federal, para que nossas políticas, nossos serviços públicos e nossas ações possam ser melhor aproveitados e entregues à sociedade”, afirmou.
Outro ponto abordado foi o risco de uma cultura institucional baseada na desconfiança. Leonardo explicou que, quando o gestor público é visto permanentemente como um potencial agente de irregularidades e os órgãos de controle atuam sob uma lógica excessivamente punitiva, a governança pode se transformar em um ambiente de constrangimento, com impactos negativos sobre a capacidade de realização da administração pública.
Nesse contexto, ele ressaltou a importância de encontrar o equilíbrio entre o controle necessário e a efetividade da gestão. A fiscalização deve estabelecer limites, garantir transparência e permitir o acompanhamento das decisões, sem transformar a conformidade em um fim em si mesma ou criar estruturas burocráticas que não geram resultados concretos.
Integridade e ESG na administração pública
Ao tratar da integridade como fundamento da governança, Leonardo apresentou mecanismos importantes para fortalecer uma cultura organizacional ética, como a criação e disseminação de códigos de conduta, a disponibilização de canais seguros de denúncia e proteção aos denunciantes e a realização de treinamentos e capacitações contínuas.
O presidente também relacionou a integridade à confiança pública, à eficiência governamental e à prevenção de fraudes e corrupção. Segundo a abordagem apresentada, instituições íntegras fortalecem a legitimidade das ações governamentais, reduzem riscos e favorecem a aplicação adequada dos recursos públicos.
Outro eixo da palestra foi a agenda ESG, que reúne critérios ambientais, sociais e de governança. Leonardo destacou desafios para incorporar esses princípios às políticas públicas, especialmente a integração transversal das diretrizes, a criação de indicadores para mensuração de desempenho e o engajamento de diferentes públicos, como cidadãos, empresas e organizações da sociedade civil.
A adoção de práticas ESG no setor público também foi apresentada como oportunidade para otimizar recursos, reduzir desperdícios, melhorar a imagem institucional e ampliar a capacidade de atrair investimentos sustentáveis.
Boas práticas e fortalecimento do controle interno
Na parte final da apresentação, Leonardo compartilhou experiências e boas práticas de governança e fortalecimento do controle interno, destacando iniciativas como o IA-CM (Internal Audit Capability Model), modelo de avaliação da capacidade de auditoria interna; o ARCCO/MG, iniciativa de articulação e cooperação entre as controladorias municipais mineiras; e a parceria entre Belo Horizonte e Uberaba, voltada ao compartilhamento de experiências e ao aprimoramento das estruturas de controle.
Também abordou a importância de um sistema central de controle interno, com atuação coordenada e integrada, capaz de fortalecer as estruturas institucionais, promover a cooperação entre os órgãos e ampliar a efetividade das ações de controle.
Assista ao evento completo aqui: