Artigo, 12 de março de 2026
A força do controle preventivo
Estamos acostumados com um modelo de atuação dos órgãos de controle predominantemente reativo: primeiro se identifica o problema e, após sua ocorrência, as responsabilidades são apuradas e tenta-se reparar um dano já consumado.
Essa forma de atuar, apesar de necessária, mostra-se insuficiente frente ao volume de recursos movimentados pelo Estado e de uma demanda cada vez maior por serviços públicos de qualidade. Por isso, repensar a efetividade do controle mostra-se necessário.
É nesse contexto que a Controladoria-Geral do Estado de Goiás criou, em 2025, a Subcontroladoria de Operações Especiais, tendo como mote de atuação o controle interno preventivo, especialmente, o monitoramento das contratações públicas, com foco na verificação da necessidade da demanda e dos preços e quantitativos estimados.
Esses dois aspectos são determinantes para a qualidade do gasto público: orçamentos mal estimados podem inflar os preços finais contratados, quantitativos mal planejados geram desperdício ou contratações desnecessárias. Ao atuar no início dos processos, o controle contribui para que a licitação já nasça mais eficiente e competitiva.
Os resultados desse modelo de atuação falam por si. Em 2025, foram apurados mais de 460 milhões de reais em benefícios financeiros decorrentes das ações de controle realizadas, oriundos principalmente da redução de orçamentos estimativos – e da consequente redução do valor final contratado – e de revisões de demandas projetadas. Trata-se de um impacto expressivo, especialmente se considerarmos que, na maioria das vezes, o benefício decorre da correção de procedimentos antes que os erros se materializem.
Ao contrário da visão distorcida de que o controle interno “atrapalha” ou “retarda” a gestão, o que temos visto é que a atuação preventiva, quando bem estruturada, reduz ineficiências, evita desperdícios e protege o gestor. Aqui uma observação importante merece ser feita: os resultados alcançados foram possíveis graças à postura colaborativa dos gestores estaduais, que se mostraram abertos às recomendações e comprometidos com o aprimoramento de seus processos de contratação. O controle passou a ser parceiro estratégico do gestor, e não um obstáculo burocrático.
As inspeções preventivas demonstram que é possível unir rigor técnico, tempestividade eficiência administrativa e espírito colaborativo a favor de uma gestão pública mais íntegra, moderna e orientada a resultados. Muito mais do que evitar irregularidades, a atuação preventiva do controle promove a racionalização do gasto público e fortalece a credibilidade das instituições.
Cada real economizado ou corretamente aplicado representa maior capacidade de investimento em políticas públicas essenciais, como saúde, educação, segurança pública e infraestrutura. No final, quem verdadeiramente ganha é a sociedade.
Adriano Abreu de Castro
Subcontrolador de Operações Especiais da Controladoria-Geral do Estado de Goiás (CGE-GO)