Conectados com o Controle, 10 de junho de 2026
Pautas sobre integridade, gênero e equidade marcam mais um episódio do “Conectados com o Controle”
Membros do Conaci defendem que o controle interno deve ir além da conformidade legal para atuar como motor de inclusão social, diversidade e transformação cultural
O 3º episódio do videocast “Conectados com o Controle” uniu as esferas federal, estadual e municipal para discutir um tema urgente e transversal: Integridade, Gênero e Equidade.
Conduzido pela jornalista Thaís Venturatto, o episódio promoveu uma troca qualificada entre Luciana Daltro (Controladora-Geral do Rio Grande do Norte e 1ª vice-presidente do Conaci para o biênio 2026-2027), Silvia Correia (Controladora-Geral do Município de Fortaleza) e Ronald Balbe (Secretário Federal de Controle da Controladoria-Geral da União – CGU).
Integridade como valor e o “Modelo de Maturidade”
A abertura do debate, feita por Luciana Daltro, estabeleceu o tom da nova gestão do Conaci. Segundo a vice-presidente, a integridade não deve ser enxergada como uma macrofunção isolada, mas sim como um valor transversal (um “fio condutor”) que costura as áreas de auditoria, transparência, ouvidoria e corregedoria.
Como ação concreta, Luciana anunciou o desenvolvimento do Modelo de Maturidade de Controle Interno sob o viés da Integridade, com previsão de entrega para setembro deste ano.
Daltro ressaltou que a sociedade atual exige uma “conformidade plena”, que une a legalidade à ética e à entrega real de resultados. “A gestão pública precisa ser plural porque a sociedade é diversa. Precisamos colocar na mesa a equidade de gênero, o compliance ambiental, a resiliência climática e o cuidado com as pessoas.”
O trabalho da CGU
Representando o Governo Federal, Ronald compartilhou como a auditoria atua em três frentes essenciais: incentivar/fomentar, avaliar e monitorar. Ele pontuou que a equidade precisa ser mensurada para que os gargalos sejam corrigidos. “Só se consegue auditar e avaliar aquilo que você mede. Você precisa medir para poder induzir novamente esse ciclo virtuoso”, explicou o secretário.
O auditor destacou iniciativas práticas da CGU de “olhar para dentro”, como a criação de um guia de linguagem inclusiva e respeitosa para erradicar termos racistas e preconceituosos do cotidiano institucional (como substituir “índio” por “indígena”).
Ronald e Luciana traçaram um paralelo com o futebol moderno — onde programas de integridade e o posicionamento de atletas como Vinícius Júnior vêm forçando uma postura antirracista — para exemplificar como o setor público deve liderar pelo exemplo, adotando uma comunicação não violenta no dia a dia e nas estruturas familiares.
Do “encastelamento” ao controle social nos municípios
Silvia Correia trouxe a realidade do “chão da fábrica” da administração pública: o município. Fazendo coro às palestras da promotora Lívia Santana Vaz e de Marcus Vinícius ocorridas na RTC, a controladora alertou para a necessidade de superar a “crise identitária” e o tradicional “encastelamento” da auditoria interna.
Para ela, o controle interno moderno precisa abandonar a postura rígida e o foco exclusivo em punir “achados”. A grande virada de chave está no fortalecimento da ouvidoria e do controle social, aproximando o órgão da dor real do cidadão comum para garantir a redução das desigualdades regionais.
Silvia também celebrou o papel do Conaci em olhar para as carências do “Brasil profundo”, destacando que a Controladoria de Fortaleza integra o grupo que desenvolve o framework para elevar o patamar mínimo de maturidade institucional das pequenas controladorias municipais.
Assista ao Episódio Completo
O debate completo, rico em insights sobre como a governança responsável (pautada nos pilares ESG) pode transformar a sociedade, está disponível na íntegra no canal do YouTube e no Spotify do Conaci.