Transparência Internacional - Brasil, 30 de julho de 2026

Transparência Internacional – Brasil lança agenda com 40 propostas para fortalecer a transparência e o combate à corrupção nos estados

Documento reúne recomendações para consolidar boas práticas de governança pública nos governos estaduais

Na última quinta-feira (29), a Transparência Internacional – Brasil lança a “Agenda de Transparência e Combate à Corrupção para os Estados (2027–2030)”. O documento reúne 40 recomendações para fortalecer a integridade e a transparência nos governos estaduais, apoiando candidaturas, equipes de transição e futuras gestões na construção de governos estaduais mais íntegros e próximos da sociedade.

Apesar de avanços, os Estados ainda enfrentam lacunas significativas em transparência e integridade. Casos recorrentes de corrupção demonstram a necessidade de institucionalizar políticas mais robustas, capazes de prevenir desvios, garantir o uso adequado dos recursos públicos e ampliar a confiança da população nas instituições.

A agenda divide as recomendações em sete eixos temáticos:

Transparência e dados abertos – A Transparência Internacional – Brasil recomenda ampliar a divulgação de informações financeiras e orçamentárias, reforçar o cumprimento da Lei de Acesso à Informação e implementar portais estaduais de dados abertos. A proposta inclui publicar agendas de autoridades e garantir que dados sejam disponibilizados em formatos acessíveis e reutilizáveis.

Mecanismos anticorrupção – Adoção de medidas como gestão da ética, regras claras para conflitos de interesse, critérios técnicos para nomeações de cargos de confiança, proteção efetiva a denunciantes e aplicação rigorosa da Lei Anticorrupção. Também propõe o reforço à integridade nos contratos públicos

Órgãos de controle interno – A agenda defende autonomia técnica, orçamento adequado e valorização das carreiras de auditoria e integridade. Recomenda ainda o uso de novas tecnologias, como inteligência artificial e análise de dados, para fortalecer a prevenção e a detecção de irregularidades.

Participação e controle social – Criação de Conselhos Estaduais de Transparência e Combate à Corrupção, políticas de governo aberto e mecanismos permanentes de participação cidadã no orçamento público, incluindo grupos vulnerabilizados.

Emendas parlamentares e obras públicas – O documento alerta para os riscos de mau uso de recursos e desvios em obras públicas e emendas parlamentares. Recomenda portais de acompanhamento de obras, divulgação detalhada de emendas e normas de integridade para a sua execução.

Segurança pública e crime organizado – A agenda propõe ampliar a transparência das políticas de segurança, fortalecer ouvidorias e controladorias, aprimorar investigações financeiras contra o crime organizado e estabelecer salvaguardas para tecnologias de vigilância.

Meio ambiente e mudanças climáticas – Recomendações incluem ampliar a transparência ambiental, combater crimes ambientais e conexos, proteger defensoras e defensores ambientais e fortalecer a integridade em órgãos ambientais e naqueles responsáveis por políticas climáticas.

Fundamentação e impacto

A agenda foi construída com base nos resultados do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), em consultas a especialistas e em referências de organismos nacionais e internacionais como a OCDE, a CGU e o TCU.

A agenda lançada pela Transparência Internacional – Brasil fundamenta-se nos resultados do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP), criado em 2022 para avaliar objetivamente normas, políticas e práticas de transparência adotadas por diferentes entes.

Os dados mais recentes mostram uma evolução gradual em muitos Estados, mas também revelam fragilidades importantes: segundo o ITGP de 2025, um a cada três indicadores de transparência financeira e orçamentária não é cumprido, menos de um terço dos Estados divulga informações completas sobre incentivos fiscais e agendas de autoridades, e apenas um em cada seis estados divulga informações completas sobre emendas parlamentares estaduais.

Esses resultados reforçam a necessidade de medidas concretas e permanentes para institucionalizar a transparência e a integridade nos governos estaduais.

“A transparência e o combate à corrupção são condições para que os governos estaduais ofereçam melhores serviços públicos em áreas como saúde, educação e segurança, protejam os recursos públicos contra desperdícios e desvios e fortaleçam a confiança da sociedade nas instituições. Esperamos que esta agenda contribua para qualificar o debate eleitoral e sirva de referência para os próximos governos estaduais”, destacou Renato Morgado, Diretor de Programas da Transparência Internacional – Brasil.

A expectativa é que as recomendações inspirem candidaturas e futuras gestões estaduais a adotar medidas concretas, capazes de transformar a gestão pública e gerar impactos positivos na vida cotidiana da população.

Agenda de Transparência e Combate à Corrupção para os Estados – 2027.2030

Fonte:
Transparência Internacional – Brasil
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