23 de março de 2026

Conaci encerra a 57ª RTC em Natal reforçando o papel do controle na gestão pública

Dinâmica “Controle na Mesa” foi destaque ao propor soluções para desafios reais do controle interno

Na tarde da sexta-feira (20), foi encerrada, em Natal (RN), a 57ª Reunião Técnica do Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci). Promovida em parceria com a Controladoria-Geral do Estado do Rio Grande do Norte (Control-RN), o encontro reuniu representantes de cerca de 65 controladorias de todo o país, incluindo a Controladoria-Geral da União (CGU).

A RTC reafirma o papel estratégico do controle interno como pilar da boa governança pública, fortalecendo a transparência, a integridade e a confiança da sociedade nas instituições. Ao longo da programação, o evento consolidou-se como um espaço de diálogo, inovação e construção coletiva de soluções para o setor público.

Para o presidente do Conaci, Leonardo Ferraz, o modelo das reuniões técnicas vem sendo aprimorado para ampliar a participação e a efetividade dos debates. “A RTC tem evoluído para um formato mais dinâmico, que valoriza a troca de experiências e a construção conjunta de soluções. Nosso objetivo é sair desses encontros com encaminhamentos práticos que possam fortalecer o controle interno em todo o país”, destacou.

Entre os temas abordados, o procurador de Justiça do Ministério Público de Minas Gerais, José Carlos Fernandes, trouxe reflexões sobre a nova Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº  14.230/2021), destacando os impactos práticos na atuação dos órgãos de controle interno.

Segundo Luciana Daltro, 1ª vice-presidente do Conaci, a experiência foi enriquecedora e de oportunidade para novos desafios. “Receber a RTC em Natal foi uma experiência muito rica para a Control-RN. Tivemos a oportunidade de trocar experiências com órgãos de todo o país, refletir sobre desafios comuns e, principalmente, trazer aprendizados práticos que fortalecem nossa atuação. Saímos desse encontro mais preparados, mais conectados e com novos caminhos para aprimorar o controle interno no Estado”, afirmou.

Um dos grandes destaques do encerramento foi a dinâmica “Controle na Mesa”, conduzida pelo professor Fábio Rezende, do Departamento de Administração Pública e Gestão Social da UFRN. A atividade propôs a a análise de situações reais enfrentadas no cotidiano do controle interno, incentivando a construção coletiva de soluções.

“Desenvolvemos uma metodologia que apresenta problemas concretos, organizados em situações específicas, convidando os participantes a refletirem sobre suas causas e a proporem caminhos de enfrentamento. A ideia é que esse processo resulte em recomendações que possam orientar a atuação dos órgãos de controle”, explicou.

O desafio central da dinâmica abordou as mudanças trazidas pela nova Lei de Improbidade Administrativa, especialmente no que diz respeito à diferenciação entre impropriedades administrativas, irregularidades relevantes e atos dolosos de improbidade. Com as alterações legislativas, as irregularidades identificadas em auditorias deixaram de ser automaticamente classificadas como improbidade, o que impõe novos desafios ao controle interno. Na prática, os órgãos precisam aprimorar critérios e metodologias para distinguir, de forma clara e consistente, os diferentes tipos de ocorrências, considerando aspectos como gravidade, intenção e impacto.

O encerramento da 57ª RTC reforça o compromisso das instituições de controle com a modernização de suas práticas, a qualificação técnica e a busca por soluções mais efetivas para os desafios da gestão pública brasileira. Um dos outros pontos apresentados durante a 57ª RTC foi o Modelo de Maturidade das Unidades Centrais de Controle Interno (MUCCI), iniciativa do Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci) voltada a estruturar e fortalecer a atuação dos órgãos de controle no país. O modelo propõe a definição de diretrizes, princípios e níveis progressivos de
maturidade, além de mapear as funções essenciais dessas unidades, com foco na melhoria da governança, da transparência e da efetividade das ações de controle interno.

Para o vice-presidente de Relações Institucionais do Conaci, Paulo Farias, o MUCCI representa um avanço estruturante para o setor. “O MUCCI surge como uma referência nacional para orientar o desenvolvimento das
unidades de controle interno. A partir dele, os órgãos conseguem entender onde estão, para onde precisam avançar e como fazer isso de forma organizada, fortalecendo a governança e a capacidade de gerar resultados concretos para a sociedade”, pontuou.

Ao promover o alinhamento entre os órgãos e incentivar a evolução contínua, o Conselho Nacional de Controle Interno (Conaci) consolida seu papel como articulador nacional de soluções que ampliam a efetividade do controle interno e contribuem diretamente para uma gestão pública mais transparente, íntegra e orientada a resultados.

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